terça-feira, 13 de março de 2012

Reticência...

Cobertas por uma lona de circo,
Duas bocas se encontram para uma breve despedida.
Despiram-se de palavras e suspiros,
Entreolharam-se tímidas
E falaram sem palavras o que o coração quis dizer.
Olhos, pele, cheiro e batimento cardíaco
Fizeram a soma de um momento dolorido
Em que um laço de fita foi solto ao vento.
E dois lábios, assim, em movimento
Se encontraram em um breve tempo
Com olhos fechados, chorando por dentro
Coração na ponta da língua,
Alma em desalinho, confusão de tantas pernas
Pra seguir outro caminho.
E assim, com olhos marejando
E a alma em penitência
As tais línguas se encontraram
Como sempre desejaram
E o tal ponto final
Se tornou uma reticência...

Manu Preta

sábado, 10 de março de 2012

Embolando

No beabá eu vou
Fazendo a minha rima
No coco, na embolada
Onde a palavra me chamar.

Vou caminhando
Sem lenço, sem documento
Sem 1 centavo no bolso
E um sorriso pra gastar.

Embolo a vida
Pra não ficar embolada
Quando piso é trovoada
Eu ando sem tropeçar.

Meu coração é quem
Comanda minha cabeça
Mas cuidado, não esqueça
Do que agora vou falar:

Sou passarinho, tenho
Asas bem gigantes
Só pouso por um instante
Pois o céu é o meu lugar.


Manu Preta.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Mar de Mamãe

Vim do mar de Mamãe Sereia
Mas aqui não posso ficar
Sou a onda que quebra na praia
Que tem hora de ir e voltar

Eu vim de lá das águas
Onde ela mora, Mãe Iemanjá
E vim aqui trazer um recado
E colher flores pra lhe ofertar

Ela pediu que o cortejo lindo
Nunca parasse de batucar
Pois a força que emana das águas
Vai trazer axé e vai abençoar.

Manu Preta


domingo, 4 de março de 2012

Coletivo AfroCaeté








Vou pisando de mansinho
Com respeito e humildade
Peço permissão ao povo
Que habita essa cidade
Pra que eu fale coisa breve
Da nossa ancestralidade.

A gente de pele negra
Que jamais foi esqueida
Fez história e travou lutas
Lá na Serra da Barriga
Mas chegou o povo branco
E a batalha foi vencida.

Se passaram muitos anos
E as coisas acontecendo
Repressão pra todo lado
E o negro ía sofrendo,
Mas tudo que ele plantou
Nessa terra, foi nascendo.

Tu trabalha, negro escrevo
Se tu quiser batucar
Vá pedindo sua força
A Xangô pra tu lutar
Que a justiça logo em breve
Da pedreira vai rolar.

O tambor silenciado
Reprimiu as Alagoas
Que levava oferendas
Em seus barcos e canoas
Pra saudar Mãe Iemanjá
Proferindo suas loas.

Mas o fruto que plantaram
Não ficou só na semente
O couro foi esticado
E o Mestre lá na frente
Fez surgir esse batuque
Nessas terras novamente.

O maracatu nas ruas
De baque solto e virado
Fez tremer pernas e braços
Pra tudo quanto foi lado
Trazendo toda energia
De quem fez nosso passado.

Abençoados pelos negros
E o Caboclo caçador,
Vamos fazendo batuque
Com respeito e muito amor
Pra trazer toda lembrança
Desse povo sofredor.

Somos vermelho e amarelo
Mas o povo é misturado
Tem gente de pele branca
E o cabelo é enrolado
Pois a alma é colorida
E o sangue é variado.

Quando o Mestre lá na frente
Faz soar o seu apito
O som do meu Coletivo
Mais parece que é um grito
E é nessa vibração
Que com fé eu acredito.

Rssa terra vai tremer
E a poeira levantar
Quem chorou já vai sorrir
Quem morgou vai se animar
Pois é um batuque forte
Que já vai se apresentar.

Esse é o grupo Coletivo
Que veio pra batucar
Do mais velho ao mais novo
Não se acanhe em dançar,
Quem souber alguma letra
Nos ajude a cantar.

Com licença eu me retiro,
Peço a benção e muito axé,
Fiquem de olhos abertos
E a orelha bem em pé
Que agora entra em cena
O meu AfroCaeté!

Manu Preta

O Canto da Moça


Eis aqui um canto triste
Sobre uma moça que insiste
No amor se encontrar
Ela sonha noite e dia
E espera a melodia
Pro seu canto se alegrar

O seu peito está ferido
Tão cansado e ressequido
Destruído pela dor
Pela vida segue errante,
É feliz por um instante,
Um poeta sofredor.

Em seus olhos de criança
Moram os passos de uma dança
Que não pôde desfrutar
É preciso um navegante
Com um amor mais que pulsante
Pra fazer ela dançar

Essa moça esquecida
Se esconde na ferida
Que não pára de doer
Ela quer um peito forte
Que lhe dê sentido e norte
E a vontade de viver

Ela quer ser desejada,
Ser bem quista, ser amada
Quer motivos pra sorrir
Se arruma no espelho,
Põe laquê em seu cabelo
E não pensa em desistir

Os amores que passaram
Lhe feriram e maltrataram
Lhe fizeram anoitecer
Sua noite é tão escura
E a menina em sua loucura
Só deseja amanhecer

A menina tão singela
Com seus olhos na janela
Vive sempre a esperar
O amor mais-que-perfeito
Ilusão que o seu peito
Faz questão de alimentar

Deixo aqui um poeminha
E uma prece bem baixinha
Pra que o santo possa olhar?
Que a moça crie asas
Pois lá fora de sua casa
Há uma vida a lhe esperar

Manu Preta

sábado, 3 de março de 2012

Reativando!

Galera, depois de milênios (exageradaaaa) sem atualizar meu blog,
vou voltar com a minha Toada velha cansada à ativa!
Acompanhem postagens de meus escritos.. cordéis, músicas, poemas, besteirinhas
e coisas de outros autores que me encantam!

Deliciem-se!

terça-feira, 8 de março de 2011

Palavreu



Me desabrocho em letras, sou palavra escrita, palavra falada e palavra sentida.
Uma letra em cada digital que traduz, dentro e fora, o que sou, o que fui, o que serei e o que é em mim.
Sou divisões silábicas, cheia de hiatos, ditongos e encontros vocais. Divido-me em fonemas, dígrafos, e como toda palavra bem escrita, possuo minha sílaba tônica.
Engula-me, soletre-me, devore-me, sinta-me. Fui feita palavra de poema e me declamo de dentro pra fora e de fora pra dentro de você.
Desvende-me. Dispenso dicionários. Fui feita palavra pra consumir teus olhos, teus lábios e tua língua, e, como um sopro leve ao pé de teu ouvido, invadir tua alma, a mente, as vísceras e o coração.

-Manuela Cecília.